quinta-feira, 30 de abril de 2015

Pare de reclamar e vá trabalhar, o povo é de direita.

Esquerdismo, desde a revolução francesa, é obra de radicais da classe média. Alguns são artistas e intelectuais que sonham com um regime de força tutelado por eles, outros são sindicalistas corruptos que assediam empresários para fazer dinheiro fácil, outros que buscam a proteção de empregos estáveis na burocracia estatal, além dos milionários culpados que, levados por suas pulsões de morte, financiam os revolucionários que vão cortar sua cabeça.
Por isso, uma das frases mais equivocadas do ideário nacional é a que diz que só no Brasil “pobre é de direita”, como se isso fosse paradoxal ou estapafúrdio. A frase completa, que inclui prostitutas e cafetões, é atribuída ao Tim Maia. Mas quem entendeu a verdadeira essência do povo nesse sentido foi Joãozinho Trinta: “pobre gosta de luxo, quem gosta de pobreza é intelectual.”
O povo é direita não porque eu quero, mas porque qualquer pesquisa séria de opinião comprova, como várias que o Datafolha já fez. Elas reforçam que todo os pilares do conservadorismo estão bastante arraigados na população de baixa renda do país (parêntesis: não use a terminologia marxista de “classe”, que dá uma idéia propositadamente errada de que são como castas indianas estanques, use “renda”, que numa economia de livre mercado é uma condição transitória e móvel). E é esse espírito do povo brasileiro que ainda resiste à transformação do país em mais uma triste república bolivariana.
Não custa lembrar que o Lula “original” ou “autêntico”, aquele que defendia com todos os perdigotos o calote da dívida externa e a estatização do que fosse possível, perdeu três eleições presidenciais de goleada, duas delas no primeiro turno. O Lula maquiado e vestido por Duda Mendonça de 2002, que falava em superávit fiscal, metas de inflação, que publicou a “Carta ao Povo Brasileiro” e que colocou Henrique Meirelles no Banco Central, venceu duas eleições suadas, no segundo turno, e contra ícones do carisma como Geraldo Alckmin, que ficou em terceiro numa eleição para prefeito em São Paulo. Lula, mesmo maquiado pela marquetagem política, venceu por falta de adversários.
Numa eleição puramente ideológica em 2005, o povo brasileiro derrotou toda a esquerda, o Chico Buarque, os artistas da Globo, o governo, e disse um “não” sonoro ao absurdo plebiscito que, na prática, iria desarmar o campo para facilitar a vida do MST e suas invasões. Em 2007, o povo vaiou Lula com gosto na abertura do Pan no Maracanã. Em abril desse ano, depois de várias mortes brutais, 93% dos paulistanos, segundo o Datafolha, queriam a redução da maioridade penal, mais uma vez dando uma banana para todo o proselitismo da esquerda, da imprensa, dos intelectuais, dos “especialistas em segurança” do Bom Dia Brasil, da GloboNews e da Carta Capital. Mais uma vez o povo falou, mas nenhum político quis ouvir e todos continuam brigando para ver quem é o mais esquerdista.
Em pesquisas do Datafolha publicadas em 2007 e 2012, o brasileiro se mostrou alinhado em praticamente todas as questões sociais importantes, de religião às drogas e o aborto, da redefinição do casamento até a maioridade penal, com o que pensa o conservadorismo clássico e com pouca semelhança com as bandeiras que defendem as cracolândias ideológicas das universidades, roteiristas de novelas globais e das redações brasileiras. O povo diz repetidamente “eles não me representam”.
É importante que se diga que o Datafolha e a Folha se interessam pelo tema pelo motivo errado. Em agosto de 2012, num evento chamado “A Ascensão Conservadora em São Paulo”, na USP, alguns expoentes do petismo como Marilena Chauí, Vladmir Safatle e André Singer, o triunvirato que praticamente dita o que a Folha pensa politicamente, chocou um ovo de serpente: a importação de uma estratégia da esquerda americana de eliminar do debate político os termos “direita” e “esquerda” e trocar por “conservadores” e “liberais”. A estratégia é engenhosa porque abre as portas da esquerda para quem rejeita o estatismo e o dirigismo econômico mas que igualmente tem problemas com quem defende as tradições culturais e valores morais construtivos da sociedade ocidental, como se fossem dissociáveis da economia de livre mercado.
A matéria da Folha de 25/12/2012 sobre o assunto é consequência direta desse evento na USP e das eleições municiais paulistanas, em que o fenômeno Celso Russomanno pegou todos os sociológos de entrevista de calça curta, já que é impossível encaixar o apresentador nas tradicionais definições de esquerda e direita. O contrabando do embuste ideológico criado nos EUA cairia como uma luva já que Russomanno era apoiado pela Igreja Universal e é um processo que está apenas começando.
Se o povo brasileiro é direita, se dá todas as provas nas ruas e nas urnas de que rejeita o estatismo, a destruição sistemática e planejada da família tradicional, dos valores judaico-cristãos e as aventuras da heterodoxia econômica, por que não há políticos brasileiros dispostos a empunhar essa bandeira? Lançar uma candidatura brasileira de direita seria como pescar naqueles parques “pesque e pegue” em que a pescaria é apenas um exercício de jogar as iscas e esperar que os peixes venham alegremente ser fisgados, certo? Não tão rápido.
Antes de se pensar em candidaturas, é preciso tratar da ausência de uma produção cultural e política que defenda esses valores, que faça o combate ideológico em todas as frentes possíveis, que lute por cada centímetro do campo de batalha da política. Sem idéias claras, sem uma mensagem bem articulada e persuasiva, os políticos não terão como seduzir um eleitorado sedento por alternativas e que foi aos milhões para as ruas nas últimas semanas.
Por isso, parem de se lamentar pelo resultado desastroso do STF em relação aos embargos infringentes. E principalmente pare de perder tempo em discussões pessoais ou virtuais com esquerdistas, não vale seu tempo, sua energia e suas boas intenções. Há algo como 60 a 70% do eleitorado brasileiro, numa estimativa conservadora (com trocadilho), esperando propostas bem articuladas de direta para pular no barco.
Vejo muita gente boa da direita perdendo um tempo precioso em discussões com esquerdistas que falam português (petistas) ou inglês (obamistas), como se fosse possível converter com argumentos racionais gente que, depois da adolescência, ainda acredita em Lula ou Barack Obama. Deixe que a vida se encarregue deles e vá cuidar de quem realmente precisa de você. Não tenha crises de auto-estima tentando receber elogios da esquerda, condescendendo com suas idéias em busca de afagos. Quando um esquerdista te fizer um elogio, pare e analise o que acabou de fazer errado.
Depois da eleição de Barack Obama em 2008, nasceu nos EUA o primeiro movimento popular sem qualquer cabresto da esquerda, o Tea Party. As pessoas iam as ruas defendendo nada mais que responsabilidade fiscal, menos impostos e meritocracia, as idéias que constituíram o país e fizeram dele o projeto humano com melhores resultados da história. E como eles foram chamados pela imprensa? Radicais, extremistas, preconceituosos e todo tipo de xingamento que a esquerda sempre faz. Só que o Tea Party não se intimidou e teve uma vitória histórica nas eleições de 2010 e conseguiu influenciar o debate político do país profundamente. O Tea Party não quer agradar a esquerda, não quer aprovação da esquerda, não quer negociar com a esquerda, ele quer vencer a esquerda. E é disso que se trata.
Os políticos, ativistas e intelectuais brasileiros que quiserem ajudar precisam se preparar culturalmente para o debate e depois entender como articular suas idéias. Não precisam nem criar nada do zero, basta ler os discursos de Winston Churchill, Ronald Reagan ou Margareth Thatcher, está tudo lá, não só as idéias corretas mas uma capacidade ímpar de articular, persuadir e seduzir o público.
Celso de Mello é passado, olhe para frente e pare de “mimimi”. Tome uma atitude. Se você pretende continuar no Brasil e criar seus filhos aqui, não há espaço para azedume e chororô, há muito, mas muito trabalho a fazer e mal começamos.
Arregace as mangas e mãos à obra. Precisamos de você.

terça-feira, 28 de abril de 2015


Muito se tem falado nestes dias sobre Dom Helder Câmara, cujo processo de beatificação foi recentemente aprovado pelo Vaticano.

Para o italiano médio, a figura de Mons. Helder Pessoa Câmara (1909-1999), bispo auxiliar do Rio de Janeiro e, em seguida, arcebispo metropolitano de Olinda-Recife, é quase desconhecida.
Quem foi Dom Helder?


Propaganda que beira o ridículo
As únicas notícias sobre Dom Hélder Câmara que passam pelos filtros da nossa imprensa são aquelas provenientes das fábricas de propaganda local, de modo tão desequilibrado que eu não tenho medo de defini-las como beirando o limite do ridículo.
Lembro-me bem, por exemplo, da reação da imprensa na época da morte de Dom Helder, em agosto de 1999. Os meios de comunicação italianos competiam entre si em panegíricos, dando títulos altissonantes como “profeta dos pobres”, “santo das favelas”, voz do Terceiro Mundo”, “Santo Helder das Américas” e assim por diante. Foi uma espécie de canonização pelos meios de comunicação de massa (1).
Esta mesma máquina de propaganda parece ter sido reativada com a abertura do processo de beatificação, assinado no Vaticano no último 25 de fevereiro. Algumas informações sobre o assunto, de fato, não fariam mal algum.
Militante pró-nazista
Talvez poucas pessoas saibam, mas Dom Helder Câmara começou sua vida pública como militante pró-nazista.
Ele foi, de fato, hierarca da Ação Integralista Brasileira (AIB), o movimento pró-nazista fundado por Plínio Salgado. Em 1934, o então Padre Câmara passou a fazer parte do Conselho Supremo da AIB.
Dois anos depois, ele se tornou o secretário pessoal de Plínio Salgado e então Secretário Nacional de AIB, participando como protagonista em comícios e passeatas paramilitares que imitavam as dos nazistas na Alemanha.

Suas convicções pró-nazistas eram tão profundas, que ao ser ordenado sacerdote fez questão de vestir, sob a batina, a famigerada “camisa verde” que era o uniforme da milícia integralista.
Em 1946, o arcebispo do Rio de Janeiro queria fazê-lo seu bispo auxiliar, mas a Santa Sé recusou por causa de sua precedente militância pró-nazista.

A nomeação veio apenas seis anos depois. Enquanto isso, Helder Câmara havia completado sua passagem do integralismo pró-nazista ao progressismo pró-marxista.

Quando, em 1968, o escritor brasileiro Otto Engel escreveu uma biografia de Mons. Câmara, ele recebeu ordens sumárias da Cúria de Olinda-Recife proibindo-o de publicá-la. O arcebispo não queria que seu passado pró-nazista fosse conhecido.
Da JUC para o PC. A Ação Católica Brasileira
Em 1947, Padre Câmara foi nomeado Assistente Geral da Ação Católica brasileira, que, sob sua influência, começou a deslizar para a esquerda para abraçar, em alguns casos, o marxismo-leninismo. A migração foi particularmente evidente na JUC (Juventude Universitária Católica), da qual Helder Câmara era particularmente próximo.

Assim escreve Luiz Alberto Gomes de Souza, antigo secretário da JUC: “A ação dos militantes da JUC [...] foi convertida em um compromisso que, pouco a pouco, se revelou socialista” (2).
A revolução comunista em Cuba (no ano de 1959) foi recebida com entusiasmo pela JUC. De acordo com Haroldo Lima e Aldo Arantes, líderes da JUC, “o ressurgimento das lutas populares e o triunfo da revolução cubana em 1959 abriu a ideia de uma revolução brasileira à JUC”.
O deslize para a esquerda foi muito facilitado pela cooperação da JUC com a UNE (União Nacional de Estudantes), muito próxima ao Partido Comunista.
“Como resultado de sua militância no movimento estudantil – prosseguem Arantes e Lima – a JUC foi forçada a estabelecer uma agenda política mais ampla para os cristãos de hoje. Foi assim que, no Congresso de 1960, foi aprovado um documento […] no qual se anunciava a adesão ao socialismo democrático e à ideia de uma revolução brasileira “(3).

Durante o governo de esquerda do presidente João Goulart (1961-1964), foi formada dentro da JUC uma facção radical chamada inicialmente de O Grupão, que mais tarde veio a ser transformado em Ação Popular (AP) que, em 1962, se definiu a si mesmo como socialista.
No congresso de 1963, a AP aprovou seus estatutos por meio dos quais “abraçava o socialismo e propunha a socialização dos meios de produção.” Estatutos que continham, entre outras coisas, elogios à revolução soviética e um reconhecimento da “importância decisiva do marxismo na teoria e na práxis revolucionária “(4).
O desvio, no entanto, não parou por aí. No Congresso Nacional, de 1968, a Ação Popular se proclamou marxista-leninista, mudando o nome para Ação Popular Marxista-Leninista (APML).
Visto que nada mais a separava do Partido Comunista, em 1972 foi decidido que ela deveria ser dissolvida e incorporada ao Partido Comunista do Brasil.

Através desta migração, muitos militantes da Ação Católica acabaram indo participar da luta armada durante aqueles anos de chumbo no Brasil.

Contra o parecer de não poucos bispos, Mons. Helder Câmara foi um dos defensores mais entusiasmados e convictos da migração da JUC para a esquerda.
Contra Paulo VI e outras esquisitices

Em 1968, quando o Papa Paulo VI estava prestes a publicar a encíclica Humanae Vitae, Mons. Helder Câmara tomou partido abertamente contra o Pontífice, qualificando a sua doutrina sobre a contracepção como “um erro destinado a torturar os esposos e perturbar a paz de muitos lares” (6).
Em um poema que realmente provocou celeuma, o arcebispo de Olinda-Recife, ironizava as mulheres “vítimas” da doutrina da Igreja, forçadas, segundo ele, a gerar “monstros”: “Filhos, filhos, filhos! Se a relação sexual é o que você quer, você tem de procriar! Mesmo que seu filho nasça sem órgãos, as pernas feito palitos, a cabeça grande, feio de morrer!”.

Helder Câmara também defendia o divórcio, endossando a posição das igrejas ortodoxas que “não excluem a possibilidade de um novo casamento religioso para quem foi abandonado [pelo cônjuge].” Perguntado se isso não iria dar razão para os secularistas, ele respondeu: “Que importa se alguém cante vitória, se ele está certo?”.
O inquieto Arcebispo reivindicava também em alta voz a ordenação de mulheres. Falando a um grupo de bispos durante o Concílio Vaticano II, perguntava insistentemente: “Diga-me, por favor, se encontram algum argumento efetivamente decisivo para impedir o acesso de mulheres ao sacerdócio, ou se trata apenas de um preconceito masculino?”.
E que importa se o Concílio Vaticano II impediu depois essa possibilidade? Segundo Câmara, “temos de ir além dos textos conciliares [cuja] interpretação compete a nós.”
Mas os devaneios não terminam por aí. Em uma conferência realizada na frente dos Padres conciliares, em 1965, ele afirmava:
“Eu creio que o homem criará a vida artificialmente, chegará à ressurreição dos mortos, e [...] obterá resultados milagrosos na recuperação de pacientes do sexo masculino através do enxerto de glândulas genitais de macacos”.
Defendendo União Soviética, China e Cuba
As tomadas de posições concretas de Dom Helder Câmara em favor do comunismo (embora às vezes criticava o ateísmo) foram numerosas e consistentes.

Por exemplo, permanece tristemente notório seu discurso de 27 de Janeiro de 1969, em Nova York, durante a sexta conferência anual do Programa Católico de Cooperação Interamericana. Sua intervenção foi assim tão favorável ao comunismo internacional, que lhe valeu o epíteto de “arcebispo vermelho”, um apelido que permaneceria indissoluvelmente ligado ao seu nome.

Depois de ter reprovado duramente a política os EUA e a sua política anti-soviética, Dom Helder propôs um corte drástico nas forças armadas dos EUA, enquanto pedia à URSS para manter suas capacidades bélicas, a fim confrontar o ‘”imperialismo”.
Ciente das consequências desta estratégia, ele defendeu-se de antemão: “Não me digam que esta abordagem colocaria o mundo nas mãos do comunismo!”

Do ataque contra os Estados Unidos, Helder Câmara passou a tecer o panegírico da China de Mao Tse-Tung, então no auge da “revolução cultural”, que causou milhões de mortes.
O Arcebispo Vermelho pediu formalmente a admissão da China comunista à ONU, com a consequente expulsão de Taiwan. Ele terminou seu discurso com um apelo a favor do ditador cubano Fidel Castro, que naquela época estava ativamente empenhado em promover a guerrilha sangrenta na América Latina.

Ele também exigiu que Cuba fosse readmitida na OEA (Organização dos Estados Americanos), da qual havia sido expulsa em 1962.
Esta intervenção, tão descaradamente pró-comunista e anti-ocidental, foi denunciado pelo prof. Plinio Corrêa de Oliveira no manifesto “O Arcebispo Vermelho abre as portas da América e do mundo para o comunismo”:
“Essas declarações contidas no discurso de D. Helder delineiam toda uma política de entrega do mundo, e mais particularmente da América, ao comunismo. Estamos assim diante desta realidade estarrecedora: um Bispo da Santa Igreja Católica Apostólica Romana empenha o prestígio que lhe vem da excelsa dignidade de sucessor dos Apóstolos para tentar a demolição de bastiões dos mais preciosos da defesa militar e política do mundo livre contra o comunismo. Contra o comunismo, sim, que é o mais radical, o mais implacável, o mais cruel e o mais insidioso dos inimigos que jamais investiram contra a Igreja e a civilização cristã” (7).

Um projeto da revolução comunista para a América Latina
Dom Helder com o Pe. Comblin
Mas talvez o episódio que causou maior espanto foi o chamado “affaire Comblin”.

Em junho de 1968, um documento bomba preparado sob os auspícios de Dom Helder Câmara pelo padre belga José Comblin, professor do Instituto Teológico (seminário), em Recife, vazou para a imprensa brasileira.
O documento propunha, sem véus, um plano subversivo para desmantelar o Estado e estabelecer uma “ditadura popular” de matriz comunista. Aqui estão alguns pontos:
Contra a propriedade. No documento, Comblin defende uma reforma tripla – agrícola, urbana e fiscal – partindo do pressuposto de que a propriedade privada e, portanto, o capital são intrinsecamente injustos. Qualquer uso privado do capital deve ser proibido por lei.
Total Igualdade. O objetivo, afirma Comblin, é estabelecer a igualdade total. Cada hierarquia, tanto no plano político-social como eclesial, deve ser abolida.

A Revolução política e social. No campo político-social essa revolução igualitária propunha a destruição do Estado por mãos de “grupos de pressão” radicais, os quais uma vez tomado o poder, deverão estabelecer uma férrea “ditadura popular” para amordaçar a maioria, considerada “indolente”.
Revolução na Igreja. Para permitir que essa minoria radical governe sem obstáculos, o documento propõe a anulação virtual da autoridade dos bispos, que estariam submissos ao poder de um órgão composto apenas por extremistas, uma espécie de “Politburo” eclesiástico.
Abolição das Forças Armadas. As Forças Armadas deveriam ser dissolvidas e suas armas distribuídas ao povo.
A censura na imprensa, rádio e TV. Enquanto o povo não tiver atingido um nível aceitável de “consciência revolucionária”, a imprensa, rádio e TV seriam estritamente controladas. As elites que discordam devem deixar o país.

Tribunais Populares. Acusando o Poder Judiciário de ser “corrompido pela burguesia”, Comblin propõe o estabelecimento de ” tribunais populares extraordinários ” para aplicar o rito sumário contra qualquer um que se oponha a este vento revolucionário.
Violência. No caso, que não fosse possível implementar este plano subversivo por meios normais, o professor do seminário de Recife considerava legítimo recorrer às armas para estabelecer, pela força militar, o regime que ele teorizou (8).
O apoio de Helder Câmara
O “Documento Comblin” no Brasil teve o efeito de uma bomba atômica. Em meio a polêmica que se seguiu, o Padre Comblin não negou a autenticidade do documento, mas disse apenas que, se tratava “só de um esboço” (sic!).
Por seu lado, a Cúria de Olinda-Recife admitiu que o documento havia saído do seminário diocesano, sim, mas afirmava que “não é um documento oficial” (sic de novo!).
Interpretando a legítima indignação do povo brasileiro, prof. Plinio Corrêa de Oliveira, então, escreveu uma carta aberta ao Mons. Helder Câmara, publicada em 25 jornais. Lemos na carta:
“Estou certo de interpretar os anseios de milhões de brasileiros, pedindo a V. Excia que expulse do Instituto Teológico de Recife, e da ilustre Arquidiocese em que ainda refulge a gloriosa recordação de Dom Vital, o agitador que se aproveita do sacerdócio para apunhalar a Igreja, e abusa da hospitalidade brasileira para pregar o comunismo, a ditadura e a violência no Brasil”.

Helder Câmara respondeu evasivamente: “Todo mundo tem o direito de discordar. Eu simplesmente ouço todas as opiniões”.
Mas, ao mesmo tempo, confirmou Padre Comblin no cargo de professor do Seminário, respaldando-o com a sua autoridade episcopal. No final, o governo brasileiro revogou o visto do padre belga, que, em seguida, teve que deixar o país.
Teologia da Libertação
Mons. Helder Câmara também é lembrado como um dos paladinos da chamada “Teologia da Libertação”, condenada pelo Vaticano em 1984.
Duas declarações sintetizam essa teologia. A primeira, do compatriota de Dom Helder, Leonardo Boff: “O que propomos é o marxismo, o materialismo histórico, na teologia” (9).
A segunda, do peruano Gustavo Gutiérrez, padre fundador da corrente: “aquilo que entendemos como teologia da libertação é o envolvimento no processo político revolucionário” (10). Gutiérrez até explica o sentido dessa participação:
“Só indo muito além de uma sociedade dividida em classes. (…) só eliminando a propriedade privada da riqueza criada pelo trabalho humano, nós seremos capazes de estabelecer as bases para uma sociedade mais justa. É por isso que os esforços para se projetar uma nova sociedade na América Latina estão se movendo cada vez mais em direção ao socialismo “(11).

Precisamente sobre este tema recentemente foi publicado na Itália um livro pela editora Cantagalli: “Teologia da Libertação: um salva-vidas de chumbo para os pobres” (12).
Amigo dos pobres e da liberdade?
Mas talvez a maior lorota sobre Helder Câmara é tentar apresentá-lo como um amigo dos pobres e defensor da liberdade.

O título de defensor da liberdade cai muito mal pra quem elogiou algumas das ditaduras mais sangrentas que flagelaram o século XX. Primeiramente o nazismo e depois o comunismo em todas as suas vertentes: soviética, cubana, chinesa…

Acima de tudo, todavia, o título de amigo dos pobres não corresponde exatamente a alguém que apoiou regimes que causaram uma pobreza tão espantosa a ponto de serem qualificados pelo então cardeal Joseph Ratzinger como a “vergonha de nosso tempo” (13).

Uma análise cuidadosa da América Latina -, país por país – mostra claramente que onde foram aplicadas as políticas propostas por Dom Helder, o resultado foi um aumento significativo da pobreza e do descontentamento popular. Lá onde, ao invés, foram aplicadas políticas opostas, o resultado foi um aumento geral de bem-estar.

Um exemplo para todos: a reforma agrária, da qual Dom Helder foi o principal promotor e que, ao invés disso, mostrou-se “o pior fracasso da política pública em nosso país”, segundo palavras do insuspeito Francisco Graziano Neto, presidente do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que é o departamento responsável pela implementação da reforma agrária no Brasil (14).

O leitor interessado em explorar o tema, com grande quantidade de dados estatísticos relevantes, pode consultar o livro mencionado acima (15).

Indro Montanelli tinha razão quando disse: “a esquerda ama tanto os pobres que toda vez que chega ao poder faz com que seu número aumente”
______________


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Lula já é milionário e ainda recebe 'gordas' aposentadorias

Se você ainda não curtiu, curta o FCS Brasil no Facebook: 
O pobre milionário Lula.
Lula recebe duas aposentadorias que juntas somam R$ 9 mil (uma por invalidez e outra por ser anistiado político). Ademais, por ser presidente de honra do PT ele recebe cerca de R$ 13 Mil por mês do partido em carteira assinada. Fora a vida de luxo que o homem leva, com viagens na faixa, vários funcionários, assessores e seguranças ganhando até R$ 8 mil cada, ele fatura cerca de R$ 250/300 mil por mês em palestras. Estima-se que o patrimônio do ex-presidente seja maior que R$ 2 bilhões de Reais, muito embora ele tenha declarado à justiça eleitoral (quando ainda foi candidato) um patrimônio de aproximadamente R$ 830 Mil. Só o apartamento/cobertura dele em São Bernardo do Campo vale mais de R$ 1 milhão de Reais.
Lula pobre? Me engana que eu gosto...
Se o assunto é dinheiro, Lula, 67, não tem com o que se preocupar. Aposentado e milionário, o ex-presidente saiu do poder há três anos, mas se transformou em uma máquina de arrecadar dinheiro com palestras, salários vitalícios, viagens, empresas e presença vip. Cercado de luxo, Lula recebe até hoje mordomias do governo e chega a cobrar mais que o dobro do seu antecessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por uma palestra de apenas uma hora.
Aposentadorias
Além do salário de presidente de honra, regalias de ex-presidente, viagens patrocinadas e a grana das palestras, Lula ainda recebe duas aposentadorias dos cofres públicos que somam R$ 9.000 por mês. Uma delas é por invalidez (perdeu o dedinho da mão esquerda quando era torneiro mecânico) e a outra, por ter sido anistiado político nos tempos da ditadura. Os R$ 9.000 que Lula ganha com suas aposentadorias é quase o triplo do salário médio de um torneiro mecânico em São Paulo, que ganha R$ 3.148 mensais, de acordo com uma pesquisa de 2010 da Universidade Municipal de São Caetano do Sul
Se livrou de devolver dinheiro aos cofres públicos
Justiça: além de multiplicar seu patrimônio com negócios e rendimentos variados, Lula cuida bem de seu patrimônio. No ano passado, ele se livrou de devolver R$ 9,5 milhões aos cofres públicos após ser considerado inocente numa ação de improbidade administrativa que o acusava de promoção pessoal e benefício ao banco BMG, envolvido no escândalo do mensalão 
Cachê do PT
Lula ganha um total de R$ 13 mil por mês do PT (Partido dos Trabalhadores) em carteira assinada por ser presidente de honra da sigla. Além da grana do partido, ele recebe diversos benefícios do governo federal por ser ex-presidente.
Regalias como ex-presidente
Como ex-presidente do Brasil, Lula tem acesso a diversos benefícios que a maioria dos aposentados nem sonha em ter, como dois carros de luxo com gasolina à vontade e oito funcionários, entre motoristas, seguranças e assessores cujos salários chegam a R$ 8.988 cada.
Palestras de R$ 250 Mil
Na esteira da popularidade conquistada como presidente, Lula discursa sobre política, economia e pobreza em palestras que custam cerca de R$ 250 mil cada — o valor mais caro do Brasil. Isso equivale, em duas horas de discurso, a quase três salários mínimos de R$ 678... por minuto! Achou caro?
Orador mais caro do País, Lula ganha dinheiro mesmo é com suas palestras no exterior. Estima-se que ele embolse mais de R$ 300 mil por um discurso internacional. E viagens é o que não faltam na agenda do ex-presidente: Europa, América do Sul, Ásia, África, Oriente Médio.
Viagens
Lula já fez mais de 40 viagens ao exterior desde que deixou formalmente o Planalto, em 2010. Entre os destinos preferidos dele estão países da África, Europa, América do Norte e até Oriente Médio. E o melhor: o petista costuma viajar na faixa e, em alguns destinos, recebe o suficiente para comprar um apartamento em área nobre de SP! Entenda o porquê na próxima foto
Embora ganhe mais de R$ 300 mil por palestra fora do Brasil, Lula não coloca a mão no bolso em diversas viagens ao exterior. Empreiteiras com histórico de doações para o PT (Partido dos Trabalhadores) bancam os gastos do ex-presidente, que, enquanto isso, multiplica os seus contatos pelo mundo.
Aerolula
Avião: Lula fazia viagens oficiais na faixa enquanto presidente e até usava uma aeronave particular, o “Aerolula” (Airbus A-319), avaliada em R$ 113 milhões (US$ 56,7 milhões à época). Na saída do governo, em 2010, ele brincou:

— Eu descobri que o Aerolula não é meu. Perdi meu avião!

Ele pode até ter perdido o avião, mas ganhou um cargo de honra no PT. E, se ele quiser, pode comprar uma aeronave com os cachês de algumas poucas palestras. Ele também ganha grana do PT. Quanto?
Boneco do Lula
Lula já inspirou a criação de um boneco feito em sua homenagem pelo PT (Partido dos Trabalhadores), em 2010, ao preço de R$ 5 cada. Houve até uma versão de pelúcia do político um pouco antes, em 2006, produzida pelo artista plástico Raul Mourão.
Mora na cobertura do prédio no valor de R$ 1 milhão
Desde 1996, o ex-presidente mora no 11º andar do edifício Hill House, em São Bernardo do Campo.  Na época, a cobertura de 186 metros quadrados foi comprada por R$ 189 mil. Atualmente, porém, o valor do imóvel, que está entre os mais caros da cidade, supera com folga R$ 1 milhão
Instituto Lula
Instituto Lula: o ex-presidente também tem uma ONG (Organização Não Governamental), o Instituto Lula, que diz não ter fins lucrativos, ser financiada por doações e ter como objetivos o desenvolvimento das nações sul-africanas e integração das sul-americanas. No início deste ano ocorreu um fato curioso: o edifício da entidade foi invadido por um grupo de sem-terra
Patrimônio
Em 2006, Lula declarou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma riqueza de R$ 839 mil, sendo que 57% estariam aplicados em bancos. Estima-se que a fortuna do ex-presidente seja atualmente muito maior, já que três de suas palestras internacionais já cobrem o valor declarado à época. Lula, desde longe, se tornou uma dos mais bem sucedidos milionários do País


Não é Auschwitz: é uma clínica psiquiátrica na Cuba dos Castro



Essas fotos foram tiradas em uma clínica de um hospital psiquiátrico de Havana conhecido como Mazorra, e divulgadas no exterior por pessoas que arriscaram suas vidas para mostrar ao mundo o que realmente está acontecendo na Cuba dos irmãos Castro.

Nas fotos estão alguns dos mais de 40 pacientes que morreram de hipotermia no hospital, congelados de frio, quando temperaturas próximas de zero atingiram a região onde Mazorra está localizado.

Esses pacientes pereceram devido à negligência dos responsáveis pelo hospital, e, depois de mortos, os funcionários do hospital friamente os jogaram sobre uma mesa, um cadáver amontoado em cima do outro, como sacos de lixo empilhados em uma lixeira qualquer.

Este é o fantástico atendimento médico que os cubanos recebem, segundo Michael Moore [1] e outros idiotas úteis.

Os pacientes são tratados pior do que animais. Eis a crueldade brutal desse regime que tem oprimido o povo cubano há mais de 54 anos, enquanto o ditador que assassina e oprime os cubanos é tratado como "presidente", e abraçado por líderes latino-americanos democraticamente eleitos.

Muitos dos pacientes exibem marcas que indicam ter sido espancados antes de morrerem.

Notas 

[1] Michael Moore é um cineasta e escritor esquerdista norte-americano, autor do documentário Sicko (2007). (N. do T.)






A reprodução ou distribuição deste material
é autorizada desde que sua fonte seja citada.
Copyright © 2015 Ernane Garcia. Todos os direitos reservados
acusa o presidente Evo Morales de participação direta no esquema."

"Um narcoestado torna-se realidade quando um governo é conivente com o tráfico de drogas e divide o poder com os criminosos."

"Nos últimos anos, aviões militares venezuelanos sobrevoaram o território brasileiro para levar à Bolívia tropas, armas e viaturas militares. 

De lá, retornaram para a Venezuela com toneladas de cocaína.

Parte da droga era embarcada em um voo comercial com destino a Damasco e Teerã. Na volta, o voo trazia dinheiro e terroristas.

O trecho entre Caracas e o Oriente Médio foi apelidado de "aeroterror". "

O Movimento Queromedefender no dia 05 de julho de 2014 havia publicado matéria informando que aviões Venezuelanos cruzaram o espaço aéreo brasileiro mas nada foi feito e ou explicado até agora.

Continuamos a cobrar do Governo Dilma um posicionamento oficial sobre a ditadura bolivariana na Venezuela, a qual precisa ser repudiada e jamais apoiada pelo Brasil como infelizmente tem sido feito.

As nossas fronteiras precisam ser realmente controladas para evitar que armas e drogas entrem em nosso país, pois os fuzis e pistolas que estão nas mãos dos bandidos no Brasil são todos ilegalmente contrabandeados, provando mais uma vez o que temos dito: Os bandidos estão cada vez mais bem armados e nós desarmados e indefesos !

Fonte: Revista Veja, ano 48, n. 17, páginas 80 e 81.

quinta-feira, 23 de abril de 2015


Exército agiliza obras no país e 
as empreiteiras se queixam

Depois de retardarem obras importantes para o país, as empreiteiras privadas criticam quando o Exército é acionado para garantir as obras prioritárias.

Exército Brasileiro

A eficiência, honestidade e a rapidez do Exército na execução de obras de construção e reforma pelo país estão incomodando as empreiteiras, que se queixam de “concorrência desleal” por parte da corporação.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Safady Simão, reclamou esta semana da participação do Exército Brasileiro em obras desenvolvidas pelo governo federal. “O setor da construção civil não vê com bons olhos a atuação do Exército em obras como duplicação de estradas e construção de aeroportos. Não há necessidade de os militares assumirem obras desse tipo”, disse. “O Exército é hoje a maior empreiteira do país”, reclama também João Alberto Ribeiro, presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias. Segundo ele, poucas construtoras no país têm hoje uma carteira de projetos como a executada pelos batalhões do Exército. No PAC, há 2.989 quilômetros de rodovias federais sob reparos, em construção ou restauração, com gastos previstos em R$ 2 bilhões. Destes, 745 quilômetros – ou R$ 1,8 bilhão – estão a cargo da corporação. “Isso equivale a 16% do orçamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes neste ano”, disse.
 
O general Jorge Ernesto Pinto Fraxe, da Diretoria de Obras de Cooperação (DOC), do Departamento de Engenharia e Construção do Exército (DEC), rebateu as declarações dos representantes das empreiteiras e afirmou que “a atuação dos militares só ocorre quando é bom para o país e para a instituição”. O general declarou que “algumas das obras assumidas pelos militares eram consideradas prioritárias e estavam tendo problemas para serem tocadas pela iniciativa privada”. “A gente não pleiteia obras. Elas são oferecidas e aceitamos quando elas são importantes para o desenvolvimento do país e para nosso treinamento”, destacou. No auge das obras, 12 mil soldados atuaram na construção civil para o governo.
 
Ele lembra, por exemplo, que havia uma briga no consórcio vencedor da licitação para a duplicação da BR-101 e que as empresas fugiam do início das obras da transposição do São Francisco. A alegação para o retardamento do início das obras era que o canteiro ficava no polígono da maconha. O general conta que o Exército fez um trabalho social na área e que dois hospitais chegaram ser montados na região, para atendimento à população.
 
Obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão sendo conduzidas pelos militares. Os militares receberam R$ 2 bilhões nos últimos três anos para executar duplicações de estradas, construção de aeroportos, preparar novos gasodutos e iniciar a transposição do Rio São Francisco. No total seriam 80 obras.
 
A transposição do São Francisco é o caso mais emblemático. Enquanto os trechos que ficaram sob a responsabilidade do Exército estão quase prontos, a parte que cabe às empresas privadas está atrasada ou paralisada. Em Floresta (PE), onde o percentual de execução não passa de 13%. Em outros lugares chega só a 16%. Nos trechos feitos pelo Exército, a obra avançou 3 vezes mais que os das empreiteiras no Eixo Norte (80% está concluída) e 5 vezes mais no Eixo Leste. Por sua vez as empresas privadas estão pedindo mais dinheiro para continuar as obras.
 
As empresas privadas, algumas delas organizadas em cartéis, depois de retardarem obras importantes para o país, de exigirem reajustes absurdos nos preços, criticam quando o Exército é acionado para garantir as obras prioritárias. Elas alegam uma suposta “concorrência desleal’. Segundo os empreiteiros, a participação expressiva dos militares “inibe o INVESTIMENTO e impede a geração de empregos”.
 
“O Exército não é um construtor. Quem pensa que vamos concorrer com as empresas está equivocado. Só atuamos para treinar nosso pessoal”, disse o general, que afirma que contrata empresas privadas para a construção de pontes e viadutos.
 
Os militares também fizeram obras para estatais – como as clareiras na selva para a construção do gasoduto Coari-Manaus, e para outros níveis de governo, como a atual construção do Caminho da Neve, estrada que Santa Catarina quer abrir para unir Gramado (RS) a São Joaquim (SC), favorecendo o turismo de inverno.
 
Estima-se que, quando concluídas, as obras entregues ao Exército terão um custo até 20% menor para os cofres públicos. “A corporação não pode lucrar com os serviços que presta”. Como emprega os próprios oficiais e soldados, já remunerados pelo soldo, o custo da mão de obra deixa de ser um componente do preço final da empreitada. Por tudo isso, o Exército está desempenhando um papel fundamental na infraestrutura necessária para o Brasil.
 
Adriano Benayon:  A lavagem cerebral que se faz secularmente, no Brasil e no mundo, em torno da intervenção do Estado na economia, teve êxito em convencer a maioria dos cidadãos de que a iniciativa privada deve prevalecer, e o Estado deve ficar fora de qualquer atividade na esfera produtiva e mesmo financeira.  Isso,  aliás, ajudou a reduzir a resistência as liquidações de entidades estatais e as corruptíssimas privatizações impulsionadas por Collor e por FHC.
 
Esse convencimento penetrou fundo, notadamente os da classe média, de que fazem parte os militares – trabalhados nesse sentido pela propaganda anticomunista (que confunde comunismo até com nacionalismo)  capitalizando a ojeriza ao comunismo, em função, inclusive, de serem permanentemente recordados da tentativa de revolução comunista em 1935.
 
É de notar que a intervenção do Estado na economia e, em especial, a execução de atividades industriais por meio de empresas estatais ocorre em todos os países que avançaram econômica e tecnologicamente e não apenas nos que a iniciaram a partir do regime comunista, como é o caso da China.
 
Mas a manipulação dos fatos e a desinformação faz misturar e confundir tudo, a ponto de associar toda atividade estatal a socialismo ou comunismo.
 
Curiosa e paradoxalmente, muitos militares não se dão conta de que o Exército –  Marinha e Aeronáutica também – são entes estatais, que tem realizado obras de  , infra-estrutura, em lugar de empreiteiras privadas,  com melhor qualidade e custo bem inferior.
 
Recordemos as realizações do CTA (Centro Tecnológico da Aeronáutica) e ITA (Instituto de Tecnologia da Aeronáutica) cujos trabalhos viabilizaram o surgimento da EMBRAER, de resto, como empresa estatal, depois criminosamente privatizada.
 
Na Marinha, citemos os projetos de enriquecimento de urânio e a construção do submarino nuclear, lastimavelmente prejudicados pela pressão imperial, pelo retardamento por falta de verbas e limitações nos projetos por imposição política.
 
Assim como ocorre na área militar, já ocorreu, em grande escala e em muitos setores, em estatais civis, em que persiste, embora alvejada, há muito tempo, pela artilharia imperial, a Petrobrás, cujas realizações estupendas deveriam ser melhor conhecidas de todos, se não estivéssemos num país virtualmente ocupado, material e mentalmente pela oligarquia financeira angloamericana e seus agentes.
 
Por fim, é importante ter presente que iniciativa privada e capitalismo são duas coisas completamente diferentes: se predominar o controle dos grupos financeiros e econômicos privados até sobre o Estado o que acontece é a inviabilização da iniciativa privada, ou seja, as pequenas e médias empresas veem seus mercados potenciais completamente fechados com a ocupação deles pelos carteis das grandes empresas.
 
No Brasil essa situação é ainda mais determinante da pobreza econômica e social, porque os maiores concentradores são empresas transnacionais, que desde sua implantação no País têm transferido para o exterior quantias fabulosas, múltiplos incalculáveis do valor que atribuíram falsamente a seus INVESTIMENTOS diretos no País.
 
Isso determinou a divida externa, que desembocou depois na interna, outro fator principal da enorme sucção de recursos do País, que, juntamente com as transferências ao exterior, causa as crises em nossa economia, cada vez mais agudas.
 
Todas essas crises estão ligadas à desnacionalização e à concentração da economia, as quais, entre outros efeitos, produziram a desindustrialização e à financeirização.