O falso perigo das armas
Este mês,
completam-se quatro anos do episódio que chocou o país. Wellington de
Oliveira invadiu uma escola em Realengo, Rio de Janeiro, e com mais de 50
disparos de arma de fogo, matou 12 adolescentes e feriu outros 12, antes de se
matar. O ataque somente foi interceptado quando um policial
militar enfrentou igualmente armado o criminoso.
Se é
impossível prever ou mesmo impedir o ímpeto de um psicopata como esse,
e evitar que armas cheguem em mãos erradas, uma vez que pouco se faz para
combater a impunidade e o contrabando no país, temos a obrigação de
oferecer meios para enfrentar esse tipo de situação. Se alguém pudesse
oferecer algum tipo de resistência previamente, a história poderia ter sido
diferente em Realengo? Menos vidas teriam sido sacrificadas?
Por uma questão lógica, psicopatas escolhem este tipo de ambiente. Podem
cometer atrocidades com a certeza de que não serão impedidos. Ao permitir que
professores e funcionários, de maneira responsável, legal e com controle portem
armas para necessidade de defesa, o estado poderia resguardar o futuro da
sociedade: a vida de jovens estudantes.
Pelo
contrário, o Governo endurece a cada dia a vida dos cidadãos de bem que desejam
ter a posse ou o porte de arma de maneira legal para sua defesa.
Na
contramão, a conceituada Universidade de Harvard publicou recentemente um
estudo definitivo comprovando que a posse de armas torna a população mais
segura e afirma que quanto mais armas os indivíduos de uma nação têm, menor é a
criminalidade. A peça acadêmica “O banimento de armas de fogo reduziria
assassinos e suicídios?” foi produzida pelos consagrados criminologistas Don B.
Kates e Gary Mauser e aponta que “se o governo de um país aprova um estatuto do
desarmamento, o que ele realmente está fazendo é diminuindo o medo de
criminosos levarem um tiro de cidadãos honestos e trabalhadores, e aumentando a
confiança desses criminosos em saber que suas eventuais vítimas — que obedecem
a lei — estão desarmadas”.
A
vergonhosa marca de 50 mil homicídios por ano, assim como o caso ocorrido em
Realengo, ocorreu justamente em pleno vigor da Lei 10.826/2003, mais
conhecida como Estatuto do Desarmamento que ao restringir o acesso
dos cidadãos de bem as armas, infelizmente, não evitou o sofrimento de milhares
de mães neste país – o que comprova mais uma vez o seu fracasso como política
de redução dos crimes.
Não se
pode estabelecer relação direta entre o acesso legal da população às armas de
fogo e os índices de homicídio, pois não são as armas dos cidadãos que matam,
mas as dos criminosos, para o qual a lei não possui relevância, reconheceu a
Organização das Nações Unidas, por meio do Global Study on Homicide (2011),
mais amplo e profundo estudo já realizado sobre homicídios, em âmbito global.
Balanços
tendenciosos de ONGs desarmamentistas afirmam que a maior parte das armas
utilizadas para o cometimento de crimes e apreendidas são nacionais. No
entanto, uma parte das dificuldades brasileiras está na escassez de bases de
informações confiáveis no tema, dado o caráter ilegal de boa parte do comércio
de armas. Apenas 8% dos homicídios são esclarecidos no país, segundo o Mapa da
Violência, estudo adotado oficialmente pelo Ministério da
Justiça. Geralmente, crimes banais, pois são mais fáceis de serem
elucidados do que os de outra natureza.
Na
investigação dos crimes por motivos fúteis ou de grande repercussão na mídia, a
polícia tem mais elementos para investigar, pois são praticados por pessoas
comuns que por vezes conhecem e convivem com as vítimas ou por possuírem maior
visibilidade. Nestes casos, as informações são adquiridas com maior facilidade.
O mesmo não acontece com os crimes que deixam de ser apurados e que não entram
nas estatísticas devido à total falta de informações pelos mais diversos
motivos, dentre eles os relacionados ao tráfico e ao crime organizado, onde o
armamento utilizado, como sabemos, muitas vezes são mais potentes do que os dos
policiais.
Com
índices tão baixos de elucidação criminal, não há como se afirmar que os
homicídios registrados no país decorrem do uso de arma de fogo, muito menos de
onde vêm as armas utilizadas pelos criminosos.
Além
disso, muitas das armas de fogo em situação ilegal sequer chegam a ser
apreendidas pela polícia e continuam nas mãos de bandidos, o que compromete a
precisão dos dados analisados em atuais “pesquisas”. Com isso, não é
possível afirmar que as armas nacionais, legais dos cidadãos, é que abastecem o
crime organizado. O que caracteriza apenas uma tentativa de transferir
para o cidadão de bem a responsabilidade e ônus do cenário crítico.
O Estatuto do Desarmamento e o cerceamento do direito a legítima defesa
são não só um desrespeito às vítimas de Realengo e seus familiares, que nada
fez para os protegerem, como também um convite a novas tragédias, dando guarida
a covardes que não temem uma reação dos cidadãos de bem.
O Estado não pode oprimir ou
impedir quem anseia se proteger legalmente, atendendo aos pré-requisitos
exigidos por lei, com o uso dos artifícios necessários e adequados
para afastar um ataque injusto que possa vir a sofrer.

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